Marias Babaçu: Empreendedorismo e identidade caxiense
Atualizado: 5 de jun.
Por Laíse Paula, Jmd24hr /Caxias-MA
Caxias é berço de poesia, cultura e, principalmente, de arte e artistas notórios. A cidade, que já carrega uma forte tradição cultural, agora também se destaca pelo artesanato. Há cinco anos, artesãs e artesãos se reuniram e criaram a Associação dos Artesãos de Caxias, marcando o início de uma nova fase de valorização e fortalecimento do artesanato tipicamente caxiense.

Neta Pinheiro, presidente da Associação dos Artesãos de Caxias, contou sobre como surgiu a necessidade da criação da associação, “Já éramos artesãos há muito tempo em Caxias, mas cada um no seu ateliê e aí chegou o momento que percebemos que Caxias precisava disso, de dar uma cara para o artesanato da terra e foi dentro dessa problemática que resolvemos nos unir e dizer que estava na hora de nos organizarmos como associação” disse.
A maioria dos associados já tinha contato com o artesanato desde cedo e tinha conhecimentos sobre diversos tipos de arte, como contou a artesã, Raimunda Elizete, “De tudo um pouco eu sei fazer, tanto bordar como pintar e fazer crochê. Tudo eu faço” frisou.
“Quando cheguei aqui, eu fazia bijuterias, depois fui me aperfeiçoando e fui fazer as biojóias também” disse a artesã, Rosy Reis.

Aos poucos, eles foram unindo experiências e conhecimentos para construir uma identidade própria para o artesanato produzido por eles. Assim, urgindo a necessidade de representar Caxias nas peças confeccionadas, como destacou Neta Pinheiro, “Nós não tínhamos esse olhar voltado para a cultura da cidade, no seguimento do artesanato. Isso veio junto com a associação, nasceu com a partir do momento que começamos a andar juntos, pois vimos que o artesanato não tinha cara de Caxias e era preciso dar uma cara caxiense para ele e foi, a partir disso, que começamos essa caminhada” contou.
Foi nessa jornada que os artesãos encontraram na palmeira do babaçu o grande símbolo de Caxias. Das mãos dos artesãos nasceram vários produtos derivados dessa palmeira, dentre eles, a Maria Babaçu, personagem que se tornou a representação do artesanato caxiense.
“É valorização da minha história, como quebradeira de coco, como filha de quebradeira de coco e como a valorização das quebradeiras de coco que ainda temos, na ativa, aqui na cidade” frisou a presidente da Associação dos Artesão, Neta Pinheiro.

Todo esse processo também contou com o apoio de diversas instituições, por meio de capacitações e cursos, como o SEBRAE, que contribui com orientações que vão desde a precificação das peças até estratégias de comercialização. A parceria com a instituição é constante e um dos projetos mais importantes é o Impulso Artesão.
A gestora de Projetos do SEBRAE Caxias, Grazielle Queiroz, explicou sobre o projeto, “É uma parceria do Sebrae com os artesãos de Caxias. Nós temos um atendimento especial voltados para eles, com consultores que são do Piauí. Estamos fazendo uma trilha de capacitação, vamos trabalhar diversos temas, trabalhando desde a parte de design do artesanato até a parte de gestão dos seus negócios” disse.
Raimunda Elizete, artesã, ressaltou como as capacitações fazem diferença, “Fizemos vários cursos no Sebrae, eles nos atendem muito bem. A gente sempre é chamado para representar nosso trabalho, eles dão as dicas de como a gente melhorar. É um conjunto de ajuda” relatou.

A cada capacitação, novos conhecimentos são compartilhados, com intuito de valorizar ainda mais o que é produzido em Caxias.
“Depois que decidimos andar unidos, como associação, tudo mudou porque veio as capacitações, como precificar, como agregar valor ao artesanato. Hoje nós temos essa visão, que antes não tínhamos” destacou Neta Pinheiro.
Hoje, para a Associação dos Artesãos de Caxias, o trabalho feito por eles representa a cultura e identidade do município, além de uma oportunidade de crescimento financeiro. Cada peça produzida carrega histórias e tradições de homens e mulheres que encontraram no artesanato uma forma de preservar a história de Caxias.

“É história que queremos deixar para as gerações futuras, sobre a valorização do babaçu. Ele é artesanato, fonte de renda, economia criativa, Festival do Babaçu, é Maria Babaçu. Ele sou eu, é você e todas as pessoas que se identificam com essa cultura” frisou a presidente da Associação dos Artesãos de Caxias, Neta Pinheiro.
Rosy Reis, artesã, frisou o significado do artesanato para ela, “O artesanato significa muita coisa na minha vida, relembrar minhas raízes, porque eu sou filha de quebradeira de coco, minha avó quebrava coco e eu também quebrei coco por muitos anos” finalizou.


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